Todos riram quando ela trocou as fraldas do rico. Até que um dia, ela viu ALGO que a deixou arrepiada…

Inês Matos ficou em frente ao espelho do banheiro do hospital, ajustando sua roupa de enfermeira azul-clara pela terceira vez naquela manhã. Seu reflexo revelava o cansaço que tentava tanto esconder: olheiras profundas e os ombros levemente curvados. Mas, por trás da fadiga, havia uma determinação inabalável.

Passara mais uma noite em claro, fazendo plantões extras—não por obrigação, mas por escolha. Tudo pela sua irmã mais nova, Leonor, e pelos sonhos de um futuro melhor. Aos 30 anos, Inês já dominava a arte de disfarçar a exaustão com um sorriso composto. Prendeu o cabelo castanho num coque impecável, seguindo o rigoroso código de vestuário do Hospital de São José, e respirou fundo.

Seu pequeno apartamento num bairro antigo da cidade e o carro velhinho estacionado na rua contavam a história de uma mulher que trocara o conforto pela responsabilidade. Ser enfermeira não era apenas um trabalho para Inês, era uma vocação. Criada numa família humilde, aprendera desde cedo a ser resiliente e a valorizar a compaixão—lições que carregava consigo todos os dias.

Ao chegar ao briefing matinal, as notícias de rotina foram anunciadas, mas o clima mudou quando a Dra. Beatriz Lopes, a chefe de enfermagem, mencionou um novo paciente.

—Foi-nos atribuído o Lucas Mendes — disse, com um tom que misturava expectativa e ceticismo. — Sim, O Lucas Mendes. Foi internado ontem depois de um acidente de esqui, paralisia temporária. Precisará de cuidados intensivos. Algum voluntário?

A sala ficou em silêncio. Todos conheciam Lucas, um magnata da tecnologia cujo rosto estampava capas de revistas. Sussurros se espalharam, carregados de admiração e inveja. Inês hesitou.

Aceitar o caso significaria mais pressão, mas também um salário extra—algo de que precisava desesperadamente.

—Eu fico com ele — disse, baixinho.

A Dra. Beatriz ergueu uma sobrancelha.

—Escolha interessante, Inês. Tenho certeza de que o Sr. Mendes está acostumado a um atendimento de luxo.

Inês endireitou os ombros.

—Cuidar é sobre dignidade, não sobre status — respondeu, firme, mesmo sentindo o peso dos olhares julgadores.

Ao entrar no quarto 403, onde Lucas estava, a luz da manhã entrava pela janela, projetando sombras suaves nas paredes brancas. Equipamentos médicos de última geração enchiam o espaço—cada peça valia mais que seu salário anual. Lucas estava imóvel na cama, seu corpo atlético em desarmonia com o roupão do hospital. Seu queixo forte, marcado por uma barba por fazer, surpreendeu Inês.

Ele não correspondia à imagem que ela tinha de um CEO de tecnologia. Esperava mãos macias, acostumadas a teclados—mas as dele eram ásperas, marcadas por calos que sugeriam trabalho duro.

—Sr. Mendes? — chamou, aproximando-se para verificar os sinais vitais. — Sou a Inês Matos, sua enfermeira principal.

Os olhos azuis de Lucas se abriram devagar, sua expressão ainda turva pela medicação.

—Pode me chamar de Lucas — disse, a voz rouca, como a de um homem enfrentando o desconforto da vulnerabilidade. — Parece que vou precisar da sua ajuda para… tudo.

Inês notou o lampejo de vergonha em seu olhar, a expressão crua de alguém acostumado ao controle, agora forçado a depender dos outros.

—É para isso que estou aqui — respondeu, com suavidade profissional. — E você vai recuperar os movimentos antes do que imagina.

O momento foi interrompido por uma batida na porta. Ricardo, o auxiliar, entrou com um sorriso maroto.

—Ouvi dizer que você se voluntariou para o “paciente VIP” — zoou. — Querendo subir na vida com um pouco de mimo, é?

O maxilar de Lucas se tensionou, mas Inês manteve a expressão neutra.

—Estou aqui para fazer meu trabalho — disse, continuando a checar os sinais vitais.

Ricardo saiu, mas o desconforto de Lucas permaneceu.

—Posso pedir outra enfermeira — murm—Não precisa — respondeu Inês, sorrindo enquanto ajustava o travesseiro dele, porque já sabia, no fundo do coração, que aquele era apenas o primeiro capítulo de uma história que faria os dois descobrirem que, às vezes, o amor aparece quando menos se espera, mesmo num quarto de hospital cheio de equipamentos caros e fofocas baratas.

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