Te Dou uma Fortuna se Tocar Este Piano — Mas o Garoto Surpreendeu a Todos6 min de lectura

Te dou 10 milhões se tocar esse piano. O milionário disparou em gargalhadas, olhando para o menino descalço. Ele não sabia que estava apostando com a pessoa errada e que perderia tudo. 10 milhões. A voz de Leonardo Silva ecoou no salão do hotel Atlântico como um trovão. 300 cabeças viraram ao mesmo tempo.

Todos os olhares se fixaram no menino descalço parado ao lado do piano Steinway de 200 mil euros. Miguel tinha 11 anos, mãos sujas de carregar bandejas e roupas remendadas pela mãe. Ele acabara de cometer um erro – tocar uma tecla do piano mais caro do evento – e agora o empresário mais cruel da cidade o transformara em espetáculo público.

“Se conseguir tocar algo, qualquer coisa reconhecível nesse piano…”, Leonardo sorriu como um tubarão farejando sangue. “Dou-lhe os 10 milhões completos.” As gargalhadas explodiram. Telemóveis se ergueram, capturando tudo. Aquilo seria viral de um jeito ou de outro. “Mas se falhar…”, a voz de Leonardo ficou fria como aço, “terá de admitir, diante de todos, que alguns nascem para a grandeza e outros para servir.”

O que ninguém naquele salão sabia era que o menino pobre, de pés sujos, guardava um segredo que estava prestes a destruir cada traço de arrogância naquela sala. Trinta minutos antes, Miguel chegara ao hotel com a mãe, Patrícia, às 18h. Ela trabalhava no serviço de catering, há oito anos carregando bandejas, limpando mesas, sendo invisível.

Miguel a acompanhava porque não tinham com quem deixá-lo. A escola havia sido suspensa quando as dívidas médicas do pai consumiram tudo. Fernando, o pai de Miguel, fora músico profissional, teclista que tocava em gravações, casamentos elegantes, eventos corporativos… até que um acidente de trânsito fraturou duas vértebras.

Agora, consertava eletrodomésticos, ganhando mal para os remédios que mantinham a dor suportável. “Meu filho…”, Patrícia sussurrara naquela tarde enquanto preparavam o salão. “Cuidado com aquele piano, é caríssimo. Não se aproxime.” Mas Miguel não resistira. Era um Steinway Modelo D, o mesmo modelo que o pai tinha em fotos amareladas recortadas de revistas.

Fotos de sonhos que nunca se realizaram. O evento celebrava o maior triunfo de Leonardo – um contrato imobiliário de 500 milhões de euros. Ele convidara toda a elite da cidade para se exibir. “Senhoras e senhores”, Leonardo ergueu sua taça de vinho de 50 anos. “Hoje celebramos os que nasceram para triunfar, os que tomam o que querem sem desculpas.”

Os aplausos foram automáticos, vazios. “E para esta noite especial, contratei o maestro Vittorio Castellani, o melhor pianista que o dinheiro pode comprar. 50 mil euros por 20 minutos.” O maestro italiano entrou como se flutuasse. Smoking impecável. Sentou-se diante do Steinway com reverência. Quando começou a tocar o Noturno nº 2 de Chopin, o salão ficou hipnotizado.

Miguel fechou os olhos. Conhecia aquela peça. O pai a tocava no teclado barato que tinham em casa, nas noites raras em que a dor não era tão intensa. Lágrimas escorreram pelo rosto de Miguel – não de tristeza, mas daquele sentimento inexplicável que só a beleza pura provoca. Seus dedos se moveram sozinhos no ar, seguindo cada nota.

Quando Vittorio terminou, os aplausos foram estrondosos. O piano ficou ali, aberto, vazio, esperando. Os pés de Miguel se moveram sozinhos. Aproximou-se do Steinway como se hipnotizado, tão perto que via seu reflexo distorcido na superfície negra brilhante. Estendeu um dedo, tocou uma tecla, duas. A nota ressoou perfeita, cristalina, tão diferente do teclado quebrado de casa que quase o fez chorar de novo.

“Ei, você!” Um empregado agarrou seu braço com força brutal. “Quem pensa que é? Esse piano vale mais que a sua vida inteira!” Miguel tropeçou, caindo de joelhos. O impacto contra o mármol tirou-lhe o fôlego. Lágrimas jorraram – metade dor, metade humilhação. “Desculpe, só queria…” “Não me importo com o que queria! Meninos como você carregam bandejas, não tocam pianos de 200 mil euros!”

O salão inteiro observava com aquela fascinação incômoda diante do sofrimento alheio, sabendo que não os atingiria. Patrícia tentou correr para o filho, mas outro empregado a bloqueou. Só pôde assistir, impotente. Foi quando Leonardo viu sua oportunidade.

Levantou-se devagar, saboreando o momento. Havia algo no desespero do menino que o entretinha. “Esperem.” Su voz cortou o ar. O empregado soltou Miguel imediatamente. Quando Leonardo falava, todos obedeciam. Miguel esfregou o braço onde os dedos deixaram marcas vermelhas. Ergueu os olhos para o empresário, sem saber se aquilo melhoraria ou pioraria tudo.

“Gosta de piano, menino?” “Sim, senhor.” “Sabe tocar?” Miguel hesitou. “Meu pai me ensinou algumas coisas antes do acidente.” “Seu pai…” Leonardo riu. Os outros o seguiram. “Onde aprendeu? Na escola de música da pobreza?” Mais risadas. Cada uma cortou Miguel como facada. “Ele era músico profissional, senhor. Tocava em gravações, até que um acidente…”

“Que trágico”, Leonardo interrompeu, sem empatia. “Mas você sabe tocar um pouco, não é? Sabe um pouco…” Virou-se para os convidados teatralmente. “O menino sabe um pouco!” Gargalhadas encheram o salão. Diana, a assistente de Leonardo, fechou os olhos, envergonhada. Vários convidados sacaram telemóveis, intuindo que algo memorável estava prestes a acontecer.

“Então, tenho uma proposta.” Leonardo caminhou para o centro do salão. Sua presença exigia atenção total. “Uma aposta que este menino nunca esquecerá.” Patrícia conseguiu se soltar. Correu até Miguel, ajoelhando-se ao seu lado. “Filho, não precisa fazer nada. Vamos embora.” Mas Leonardo já falava, voz amplificada pela acústica perfeita do salão.

“Se esse menino conseguir tocar algo – qualquer coisa reconhecível nesse piano –, dou-lhe 10 milhões de euros.” Silêncio absoluto. 10 milhões era uma fortuna obscena. Miguel mal conseguia processar o número. “10 milhões… mais do que sua família ganhará em 20 anos. Casa, médicos, escola… tudo.” Mas a voz se tornou venenosa. “Se falhar, se fizer só barulho, admitirá publicamente que alguns nascem para a grandeza e outros para servir. Que seu lugar é carregando bandejas.”

Era injusto. Crueldade disfarçada de oportunidade. “Isso é inapropriado”, Diana levantou-se. “É uma criança!” “É uma criança que terá a chance da vida.” Leonardo sorriu. “Qual é o problema?” Tudo. Tudo estava errado. Mas ninguém mais protestou. Patrícia abraçou Miguel. “Não precisa fazer isto, por favor.” Miguel olhou para a mãe. Viu as rugas prematuras, as mãos destruídas pelo trabalho, todo o sacrifício.

Depois, olhou para a entrada, onde Fernando acabara de chegar, apoiado em sua bengala, dor gravada em cada linha do rosto. 10 milhões. A cirurgia da coluna custava 1,5 milhão. Comida, escola, uma vida diferente. Mas mais do que isso, algo ardia em seu peito. Não era só dinheiro. Era dignidade. Era mostrar que ser pobre não significava serMiguel sentou-se ao piano, respirou fundo e, com os dedos que antes carregavam bandejas, tocou uma melodia tão pura que até o coração de Leonardo, endurecido pelo dinheiro, se quebrou em lágrimas silenciosas.

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