Foi a namorada dele quem fez isso. O menino pobre contou toda a verdade ao milionário. António Sousa empurrava a cadeira de rodas da filha Beatriz pelo parque quando tudo mudou. O empresário de 52 anos tinha uma rotina tranquila de passeios à tarde, aproveitando os momentos de paz para conversar com a menina de 8 anos sobre o dia na escola e os pequenos acontecimentos que enchiam as suas tardes.
Foi então que um menino maltrapilho, com roupas gastas e um boné velho surgiu correndo entre as árvores e apontou diretamente para Maria, a namorada de António, que caminhava alguns metros à frente admirando as flores do jardim. “Foi ela quem fez isso com a sua filha!”, gritou o garoto sem fôlego, os olhos arregalados de urgência.
António parou abruptamente, sentindo o coração acelerar. Beatriz virou a cabeça confusa. Enquanto isso, Maria se aproximou rapidamente com o rosto tenso de preocupação. “António, afasta este menino daqui”, disse Maria, agarrando-o pelo braço com força. “Deve ter problemas mentais. Vamos embora.” “Espera.” António segurou a cadeira de rodas com mais firmeza, olhando fixamente para o menino.
“O que você disse?” O menino, que parecia ter uns 10 anos, respirava pesadamente e tremia visivelmente. Suas roupas estavam sujas, os pés descalços cobertos de terra, mas seus olhos brilhavam com uma determinação que despertou algo inquietante no peito de António. “O senhor se chama António Sousa, não é? E ela é Beatriz.”
O menino apontou para a menina na cadeira. “Eu sei o que aconteceu na escola naquele dia. Eu vi tudo.” Maria deu um passo à frente, colocando-se entre António e o menino. “Não ouça isso, amor. É algum golpe. Esses meninos de rua inventam qualquer história para conseguir dinheiro.”
Ela se virou para o menino com tom ameaçador. “Some daqui antes que eu chame a segurança.” Mas António não conseguia tirar os olhos do menino. Havia algo na expressão do pequeno que o perturbava profundamente. Uma sinceridade desesperada que contrastava com o nervosismo excessivo de Maria. “Como você sabe os nossos nomes?”, perguntou António, ignorando os puxões insistentes da namorada na manga da sua camisa.
“Eu trabalhava na escola como ajudante de limpeza quando aconteceu.” O menino engoliu em seco. “Faz dois anos, mas eu me lembro de tudo. Estava limpando o corredor quando ouvi os gritos.” Beatriz se mexeu inquieta na cadeira, suas mãozinhas agarrando os braços do assento. António notou que a filha estava prestando atenção a cada palavra, embora fingisse estar distraída olhando para os pássaros.
“Vamos embora agora, António”, insistiu Maria, sua voz subindo um tom. “Não vou permitir que perturbem a nossa família com essas invenções.” “Eu não estou inventando!”, gritou o menino, lágrimas começando a rolar por suas faces sujas. “Ela machucou a Beatriz. Eu vi quando ela empurrou a menina nas escadas.”
O silE no final, a verdade prevaleceu, unindo corações e mostrando que o amor e a justiça podem curar até as feridas mais profundas.





