Hoje, decidi escrever sobre o que aconteceu. Ainda me custa acreditar, mas é verdade. Tudo começou quando eu, o Capitão da PSP de Lisboa, Pedro Silva, seguia para casa num táxi. O motorista não fazia ideia de que aquele homem sentado no banco de trás não era um cidadão comum, mas um oficial superior.
Estava de folga, a caminho do casamento do meu irmão. Vestia um simples casaco vermelho e parecia apenas mais um homem a terminar o dia. Queria estar presente apenas como irmão, não como autoridade. Durante a viagem, o taxista disse-me:
—Senhor, vou por este caminho para si. Normalmente, quase nunca passo por aqui.
Perguntei-lhe, com curiosidade:
—Mas porquê, meu caro? O que tem esta rua?
O taxista suspirou antes de responder:
—É por causa dos agentes que ficam aqui. O sargento desta esquadra multa sem razão e extorque os taxistas, mesmo sem termos feito nada de errado. E se alguém se recusa, leva porrada. Não sei o que me espera hoje. Oxalá não cruze com esse sargento agora, senão vai sacar-me dinheiro sem eu ter culpa.
Fiquei a pensar: “Será que isto é verdade? O sargento desta esquadra faz mesmo estas coisas?”
Pouco depois, avistámos o Sargento Tiago Costa na berma da estrada, com outros agentes, a fiscalizar veículos. Mal nos aproximámos, ele fez sinal para pararmos.
O Sargento Tiago disse, com voz grossa:
—Então, taxista, saia já do carro. Acha que a estrada é sua, a conduzir assim? Não tem respeito pela lei? Pague já 500 euros de multa.
Ao dizer isto, pegou no talão de multas. O motorista, o Rui, ficou visibly nervoso e respondeu:
—Senhor agente, não fiz nada de mal. Porque me está a multar? Por favor, não faça isso. Não tenho esse dinheiro agora. Onde vou arranjar 500 euros?
O Sargento Tiago ficou ainda mais irritado. Ergueu a voz:
—Não discuta comigo. Se não tem euros, então anda a trabalhar de graça? Depressa, mostre a sua identificação e a documentação do carro. Isto é roubado?
O condutor mostrou rapidamente todos os papéis. Estava tudo em ordem. Mas o Sargento insistiu:
—A papelada está okay, mas mesmo assim tem de pagar a multa. Dê-me 500 euros agora, ou pelo menos 300, senão apreendo o carro.
Eu observava atentamente. Vi o Sargento Tiago a assediar um trabalhador honesto, a tentar extorquir-lhe dinheiro sem qualquer razão. Apesar de estar furioso, mantive a calma. Precisava de perceber a verdade toda antes de agir.
O taxista suplicou:
—Senhor agente, onde vou arranjar tanto dinheiro? Só fiz 50 euros hoje. Como lhe posso dar 300? Deixe-me ir, por favor. Tenho filhos pequenos. Sou pobre. Trabalho o dia todo para os sustentar. Tenha piedade.
Mas o Sargento não mostrou compaixão. Pegou no homem pelo pescoço, empurrou-o com força e gritou:
—Se não tem dinheiro, porque é que anda de táxi? A estrada é sua, para andar tão depressa? E ainda discute comigo. Venha, vamos à esquadra e lá conversamos.
Naquele momento, não me consegui conter. Avancei e coloquei-me à frente do sargento, dizendo:
—Sargento, o que está a fazer é errado. Se o motorista não fez nada, porque o está a multar? Além disso, agrediu-o. Isto é violação da lei e dos direitos. Não tem o direito de oprimir um cidadão comum. Deixe-o ir.
O Sargento Tiago já estava furioso. Ao ouvir as minhas palavras, riu-se com desdém:
—Ah, então agora é você que me vai ensinar a lei? Tem muita lata. Parece que também vai provar a cela. Os dois vão juntos para a prisão. Lá pode falar à vontade.
Fiquei vermelho de raiva, mas controlei-me. Queria ver até onde aquele sargento iria. Ele não fazia ideia de que eu não era um civil qualquer, mas sim o Capitão da PSP. Ordenou aos seus colegas:
—Vamos, levem os dois para a esquadra. Logo vemos o que valem.
Fomos levados para a esquadra. Mal chegámos, o Sargento disse:
—Ponham-nos ali. Agora vamos ver o que estes dois têm para dizer. Temos de lhes mostrar quem manda.
Os agentes obrigaram-nos a sentar num banco. Pouco depois, o Sargento atendeu uma chamada. Ouvi-o dizer:
—Sim, o seu assunto está tratado. O seu nome não vai aparecer. Tenha o pagamento pronto. Não se preocupe. Eu trato de tudo.
Fiquei a pensar: “Afinal, este tipo não só assedia pessoas na rua, como também aceita subornos dentro da corporação.” Estava a enganar pessoas inocentes. Contei a minha raiva. Sabia que me zangar naquele momento não adiantaria. A verdadeira batalha teria de ser feita com provas e pelo procedimento correto.
O taxista, o Rui, estava preocupado. Pensava na sua casa e nos seus filhos. Olhei para ele e disse calmamente:
—Não tenha medo. Este sargento não lhe pode fazer nada. Estou consigo. Vi tudo e vou revelar. Está seguro. Eu não sou um homem comum. Sou o Capitão Pedro Silva. Estou a expor toda a corrupção deste sargento. Por isso é que estou calado. Mais tarde, tudo vai ficar claro.
O Rui ficou aliviado, mas ainda desconfiado.
—O senhor é mesmo capitão? Então porque é que não disse nada? Não estará metido com eles, pois não?
Acalmei-o:
—Não tenho nada a ver com eles. Estou aqui quieto para o expor. Estou a observar para ver quantas ilegalidades este homem comete. Por isso me calei. Espere só um pouco e vai ver o que lhe faço.
Pouco depois, o Sargento chamou o taxista à sua sala.
—Se quer salvar o seu carro, tem de pagar 300 euros. Senão, apreendo-o. Além disso, vai tornar-se meu inimigo. As minhas regras é que mandam aqui. Faço o que quiser. Não se meta comigo. Pague os 300 euros.
O Rui, com medo, tirou 200 euros do bolso.
—É tudo o que tenho. Fique com isto e deixe-me ir.
O Sargento aceitou o dinheiro.
—Está bem. Agora vá para fora e diga àquele homem que o quero ver.
Saí sem hesitar. O Sargento perguntou-me:
—Como se chama?
Respondi com confiança:
—Que interesse tem o meu nome? Diga lá. Porque é que me chamou?
Ele ficou surpreendido com a minha coragem.
—Olhe, não se ponha com coisas. Temos aqui a cura para toda a esperteza. Uns sopapos e isso passa. Se quer ir para casa, tire 200 euros já. Senão, respira o ar da prisão.
Recusei-me.
—Não lhe dou um cêntimo. Não fiz nada. Porque me pede dinheiro? Está a fazer cumprir a lei ou a quebrá-la? Para que serve esse uniforme? É só para assustar e extorquir? Isto é o seu dever?
O Sargento ficou furioso e gritou a um agente:
—Ponham este homem numa cela, já!
Ninguém imaginava as consequências do que estava para acontecer. Eu mantive-me calmo. Os meus olhos não mostravam raiva, mas determinação.
Pouco depois, um SUV preto parou à frente da esquadra. Era o Comissário Principal, José Mendes. Vinha com ar severo. Dirigiu-se à esquadra e perguntou a um agente:
—Ouvi dizer que prenderam um homem aqui.
O Sargento Tiago apareceu e levou o Comissário à cela. Mal me viu, o Comissário exclamou:
—O que fizeram? Não sabeO Comissário reconheceu-me imediatamente e, perante o choque do Sargento Tiago, ordenou a minha libertação, iniciando-se naquele momento uma investigação interna que culminaria na demissão e prisão do corrupto, restaurando a honra daquela esquadra e a minha fé na justiça.





