Ele Chegou de Surpresa e Se Apaixonou pelo que Viu na Babá4 min de lectura

O milionário chegou sem aviso à sua mansão e se apaixonou ao ver o que a babá ensinava aos seus trigêmeos. Eduardo Barros ficou paralisado no limiar da porta. Suas mãos ainda seguravam a mala de viagem. Sua gravata estava desleixada depois de 18 horas de voo desde Xangai. Ele tinha voltado três dias antes porque as negociações terminaram rápido, porque algo em seu peito lhe dissera que precisava estar em casa. Agora ele entendia por quê.

No chão do quarto, sua nova babá estava ajoelhada sobre o tapete azul. Seu uniforme preto com avental branco contrastava com o piso elegante. Mas não foi isso que lhe tirou o fôlego. Foram seus filhos. João, Pedro e Lucas estavam ajoelhados ao lado dela, suas pequenas mãos entrelaçadas na frente do peito, os olhos fechados com uma paz que Eduardo nunca tinha visto em seus rostos.

*“Obrigado por este dia.”*

A voz da babá era suave, melodiosa.

*“Obrigado pela comida que nos alimenta e pelo teto que nos protege.”*

*“Obrigado pela comida”*, repetiram os três crianças em uníssono.

Eduardo sentiu as pernas falharem.

*“Agora digam a Deus o que os fez felizes hoje.”*

João abriu um olho, olhou para os irmãos e o fechou novamente.

*“Fiquei feliz quando Mariana me ensinou a fazer biscoitos.”* Sua voz era tímida, mas clara.

*“Eu fiquei feliz brincando no jardim”*, acrescentou Pedro.

Lucas, o mais quieto dos três, demorou para falar.

*“Eu fiquei feliz porque não tenho mais medo à noite.”*

A mala escorregou da mão de Eduardo e caiu no chão.

Mariana abriu os olhos imediatamente. Seu olhar escuro encontrou o dele através do quarto. Durante três segundos que pareceram uma eternidade, nenhum deles se moveu.

*“Papai!”*, gritou Pedro, levantando-se num pulo, mas Eduardo mal conseguia processar suas palavras. Sua visão estava embaçada, algo quente queimava atrás dos olhos.

*“Senhor Barros.”* Mariana levantou-se com graça, alisando o avental. *“Não o esperávamos até sexta.”*

*“Eu… terminei antes.”*

João e Lucas correram para ele. Seus pequenos braços envolveram suas pernas. Eduardo os abraçou automaticamente, mas seus olhos continuaram fixos na mulher que transformara seus filhos em apenas quatro semanas.

*“Quer rezar conosco, papai?”* A voz de Lucas estava cheia de esperança.

Eduardo não sabia rezar. Não lembrava a última vez que tinha falado com Deus.

*“Eu—preciso guardar minhas coisas…”*

A decepção cruzou o rosto de Lucas como uma sombra.

*“Podem terminar a oração”*, ele disse, recuando para o corredor.

Mariana inclinou a cabeça levemente. Não disse nada, mas algo em seus olhos o atravessou como uma faca.

Eduardo caminhou pelos corredores da mansão com passos que não sentia. Desceu as escadas segurando o corrimão como um bêbado. Entrou no escritório e trancou a porta.

Só então permitiu-se desabar contra a madeira.

Seus filhos estavam rezando. Seus filhos selvagens, furiosos, partidos, estavam de joelhos, falando com Deus sobre biscoitos, jardins e medo que desaparecia à noite.

Lucas tinha dito que não tinha mais medo.

*Quando ele começou a ter medo?*

A imagem dos três com os olhos fechados e expressões serenas queimou-se em sua mente como ferro em brasa. A confiança que tinham naquela mulher, o modo como ela os ensinara a expressar gratidão, a nomear emoções, a pedir ajuda a algo maior que eles mesmos—tudo o que ele tinha sido incapaz de lhes dar.

Eduardo deslizou pela porta até sentar no chão. Seu terno de três mil dólares amassou-se contra o assoalho. Seus sapatos italianos esticaram-se sem graça à sua frente.

E pela primeira vez em três anos—desde que sua esposa os abandonara sem olhar para trás—Eduardo Barros chorou.

As lágrimas queimavam suas bochechas. Seu peito sacudia com soluços silenciosos. Cobriu o rosto para abafar o som.

Não sabia quanto tempo passou assim. Dez minutos. Trinta. Uma hora.

Quando finalmente conseguiu respirar novamente, quando secou os olhos com a manga da camisa, soube algo com absoluta certeza:

Ele estivera vivendo como um fantasma em sua própria casa, trabalhando até a madrugada, viajando três semanas por mês, evitando os olhos dos filhos porque lembravam tudo o que perdera.

E uma mulher de Braga, com seu uniforme simples e voz suave, devolvera algo que ele nem sabia que eles precisavam.

Fé. Esperança. Paz.

Eduardo levantou-se com pernas trêmulas. Olhou-se no espelho do escritório—olhos vermelhos, gravata torta, cabelo despenteado. Parecia um homem acordando de um pesadelo de três anos.

Pegou o telefone e começou a cancelar tudo.

___

Seis meses depois, a família de cinco ajoelhou-se no jardim de inverno que agora transbordava vida.

*“Obrigado por este dia”*, Mariana começou, a mão sobre a pequena barriga.

*“Obrigado por este dia”*, repetiram quatro vozes amadas.

E na paz perfeita daquele momento, Eduardo soube que encontrara o único tesouro que realmente importava—uma família que rezava junta e ficava junta.

Para sempre.

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