Marido Exige Divórcio no Leito do Hospital — Mas Não Esperava Quem Seria Abandonado…

O quarto de paciente no 7º andar de um hospital privado estava estranhamente silencioso. O monitor cardíaco emitia sons ritmados, e a luz branca iluminava o rosto pálido de Inês — uma mulher que acabara de sair da cirurgia de tireoide.

Ainda meio tonta devido à anestesia, Inês piscou os olhos e viu o marido, Guilherme, parado ao lado da cama, com uma pilha de papéis nas mãos.

— Acordaste? Ótimo. Assina isto.

O tom dele era distante, completamente sem compaixão.

Inês franziu a testa, confusa:

— O que é isso… que tipo de documento?

Guilherme deslizou os papéis para ela, respondendo com frieza:

— Os papéis do divórcio. Já preenchi tudo. Só precisas assinar.

Inês ficou paralisada. Os lábios entreabriram-se, mas a garganta ainda doía após o procedimento. As palavras não saíram. Os olhos encheram-se de incredulidade e mágoa.

— Isto… é alguma piada de mau gosto?

— Estou a falar sério. Já te disse — não consigo continuar ao lado de alguém frágil e sempre doente. Cansado de ser o único a tentar. Mereço seguir o que sinto.

A voz de Guilherme era assustadoramente tranquila, como se estivesse a falar de trocar de seguro, não de acabar com um casamento de dez anos.

Um sorriso leve surgiu nos lábios de Inês, enquanto lágrimas escorriam silenciosamente.

— Então… esperaste até eu não me poder mexer nem falar… para me obrigar a assinar?

Guilherme hesitou por um instante, depois acenou com a cabeça:

— Não me culpes. Isto já estava escrito. Encontrei alguém. Ela não quer mais viver escondida.

Inês mordeu o lábio com suavidade. A garganta ardia, mas a dor verdadeira estava no peito. Ainda assim, não gritou nem chorou.

Apenas perguntou, em voz baixa:

— Onde está a caneta?

Guilherme ficou surpreso. — Tu… vais mesmo assinar?

— Disseste bem. Era só uma questão de tempo.

Ele entregou-lhe a caneta. Inês pegou nela com mãos trémulas e assinou devagar.

— Pronto. Desejo-te paz.

— Obrigada. Vou devolver os bens combinados. Adeus.

Guilherme virou-se e saiu. A porta fechou-se — com um clique suave. Mas, menos de três minutos depois, abriu-se novamente.

Entrou o Dr. Jorge, amigo antigo de faculdade de Inês e o cirurgião que a operara. Ele trazia o prontuário dela e um buquê de rosas brancas.

— A enfermeira disse que o Guilherme esteve aqui?

Inês acenou levemente, sorrindo com delicadeza:

— Sim, veio pedir o divórcio.

— Estás bem?

— Mais do que bem.

Jorge sentou-se ao lado dela, pousou as flores e tirou um envelope.

— Estes são os papéis do divórcio que o teu advogado me pediu para guardar. Disseste-me: se o Guilherme os trouxesse primeiro, assinarias este e mandarias de volta.

Sem hesitar, Inês abriu o envelope e assinou. Depois, olhou para Jorge, com uma expressão de serenidade e força:

— De agora em diante, vivo para mim. Não me dobro mais para ser a “esposa perfeita”. Não finjo força quando estou esgotada.

— Estou aqui. Não para substituir ninguém, mas para te apoiar, se me deixares.

Inês acenou novamente. Uma única lágrima escorreu — não de desgosto, mas de paz.

Uma semana depois, Guilherme recebeu um envelope prioritário. Dentro, estava a papelada do divórcio finalizada. Junto, uma pequena nota escrita à mão:

“Obrigada por ires embora, assim eu paro de me agarrar a quem já me largou.

A que ficou para trás não sou eu.

És tu — para sempre a sentir falta da mulher que um dia te deu todo o seu amor.”

Naquele momento, Guilherme percebeu: quem pensou estar a acabar com tudo era, na verdade, quem ficou realmente sozinho.

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