O Médico Ajuda no Parto da Ex-Namorada—Mas Empalidece ao Ver o Bebê

A maternidade estava agitada naquela manhã. Num grande hospital no coração de Lisboa, o silêncio era um luxo raro. O Dr. Eduardo acabara de concluir uma cesariana quando recebeu um chamado urgente: uma mulher em trabalho de parto ativo, quase totalmente dilatada, precisava do médico de plantão imediatamente.

Ele trocou rapidamente o avental e entrou na sala de parto. Mas quando seus olhos encontraram a paciente, congelou.
Era Inês — sua ex-amada, a mulher que estivera ao seu lado por sete anos antes de desaparecer sem uma única explicação. Agora ela estava ali, encharcada de suor, o ventre contraindo-se, apertando o telefone com força. Quando o reconhecimento brilhou em seu olhar, medo e incredulidade se misturaram.

“Você… é o médico-chefe?” sussurrou.

Eduardo não disse nada. Acenou brevemente e empurrou a maca para a frente.

O parto logo se tornou perigoso. A pressão de Inês despencou, o batimento do bebê enfraqueceu, e uma intervenção imediata foi necessária. Mesmo assim, Eduardo manteve-se firme, guiando sua equipe tensa, mas coordenada, através da crise.

Após quarenta minutos exaustivos, o bebê nasceu.

Quando Eduardo ergueu a criança em seus braços, congelou novamente.
O bebê tinha os mesmos olhos escuros e profundos e as mesmas covinhas que ele mesmo tinha quando pequeno.

Seu pulso acelerou. Os sons da sala pareceram sumir. Então, percebeu — uma pequena marca de nascença em forma de lágrima no ombro do bebê. A rara marca da família, passada de seu avô para seu pai, e depois para ele.

A enfermeira estendeu as mãos para o recém-nascido. Eduardo hesitou antes de entregá-lo. Ela acariciou a bochecha do menino com ternura e o levou para ser limpo e enrolado.

Quando Eduardo se virou novamente, Inês estava exausta na cama, o olhar desviado.

“Por que… por que nunca me contou?” perguntou ele, a voz rouca.

Seus lábios tremeram enquanto as lágrimas escapavam.

“Eu… eu queria. Mas tudo desmoronou ao meu redor. Meus pais me pressionaram, você estava afogado no trabalho… Pensei que me odiaria, que me abandonaria…”

Eduardo ficou em silêncio até que a enfermeira devolveu o bebê, agora enrolado e aquecido. Ao segurar seu filho, suas mãos tremiam. Uma onda de reconhecimento e revelação invadiu-o, despertando algo primitivo — o instinto de um pai.

“Inês… não importa o que aconteceu antes, nunca vou abandonar você. Nem nosso filho,” declarou, a voz firme e resoluta.

Finalmente, ela ergueu os olhos para os dele. Vermelhos de tanto chorar, mas brilhando com uma frágil esperança.
Do corredor, veio o choro do recém-nascido — anunciando não apenas sua chegada, mas o renascimento de duas almas que um dia se perderam.

Hoje, aprendi que o passado pode nos surpreender, mas o amor verdadeiro sempre encontra um caminho de volta.

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