O milionário despediu a babá sem razão até que sua filha disse algo que o deixou em choque…
A babá foi demitida sem explicação, mas o que a filha do milionário revelou deixou todos em choque. A mala caiu no chão quando ele ouviu as palavras que mudariam tudo. Beatriz Almeida jamais imaginaria que, após três anos cuidando da pequena Matilde, seria dispensada sem motivo aparente. Juntou suas coisas, tentando esconder as lágrimas que não paravam de cair.
Ninguém entendia o que havia acontecido até que a filha do milionário sussurrou algo no ouvido do pai, e o que ela revelou deixou o empresário completamente arrasado.
O peso da injustiça era mais pesado do que qualquer bagagem. Beatriz desceu os degraus da varanda com os olhos fixos no chão de pedra, contando cada passo como se isso a distraísse do que acabara de acontecer. Vinte degraus até o portão, vinte passos para deixar para trás três anos inteiros de sua vida.
O pôr do sol em Sintra tingia as paredes de tons dourados daquela mansão. Ela pensou em como sempre amara aquela hora do dia, quando a luz entrava pelas janelas do quarto de Matilde e as duas inventavam formas nas sombras projetadas no teto. Um pássaro, uma borboleta, uma estrela. Não olhou para trás. Se o fizesse, sabia que choraria, e já havia chorado demais no banheiro de empregada enquanto empacava seus pertences.
Três calças jeans, cinco blusas, o vestido azul-céu que usara no aniversário de quatro anos de Matilde, a escova de cabelo que a menina adorava usar para pentear sua boneca favorita. A escova ela deixou. Pertencia àquela casa, àquela vida que já não era mais sua.
O motorista esperava junto ao carro preto com a porta aberta. O senhor António era homem de poucas palavras, mas o olhar que lançou a Beatriz dizia tudo. Ele também não entendia. Ninguém entendia. E talvez fosse melhor assim, porque se alguém perguntasse o motivo, ela não saberia responder.
Diogo Carvalho simplesmente a chamou ao escritório naquela manhã e disse, com a voz firme de quem lê um relatório de negócios, que seus serviços não eram mais necessários. Sem explicação, sem aviso, sem sequer olhá-la nos olhos.
Beatriz entrou no carro e apoiou a testa no vidro frio da janela. A mansão foi ficando cada vez menor no retrovisor, e com ela tudo o que construíra nos últimos três anos. Chegara ali com 26 anos, recém-formada em educação infantil, sem experiência além de cuidar dos sobrinhos nas férias. A agência de empregos a enviara quase por acaso, um substituto temporário que se tornou permanente quando Matilde, então com apenas dois anos, se recusou a dormir com qualquer outra pessoa que não fosse ela.
Matilde tinha esse poder de escolher as pessoas, de olhar para alguém e decidir, com a certeza absoluta que só as crianças têm, se aquela pessoa merecia ou não seu carinho. E Matilde escolhera Beatriz no primeiro dia, quando a babá anterior, uma senhora experiente de 55 anos, não conseguira fazê-la parar de chorar.
Beatriz simplesmente sentou no chão do quarto, pegou um livro de ilustrações e começou a inventar vozes diferentes para cada personagem. A menina parou de chorar, olhou para ela com aqueles olhos grandes e castanhos, tão parecidos com os do pai, e estendeu os bracinhos pedindo colo.
Desde aquele dia, eram inseparáveis.
O carro passou pela praça central de Sintra, com suas casinhas coloridas e a fonte onde Beatriz levava Matilde para ver os pombos se banharem nas tardes quentes. A menina adorava jogar migalhas de pão e rir quando as aves brigavam pelo pedaço maior. Às vezes, Diogo aparecia de surpresa, fugindo de alguma reunião, e os três se sentavam num banco de ferro comendo gelado de baunilha.
Eram momentos raros, mas preciosos. Momentos em que o empresário parecia esquecer os números e as reuniões que dominavam sua vida, e simplesmente existia ali, presente com sua filha e a babá que cuidava dela.
Beatriz fechou os olhos e deixou as lágrimas rolarem em silêncio. Não eram lágrimas de raiva, embora tivesse todo o direito de senti-la. Eram lágrimas de saudade antecipada, de um luto que começava antes mesmo da ausência se concretizar. Iria sentir falta do cheiro do amaciante que a dona Maria usava nas roupas, do café que o senhor António preparava todas as manhãs, forte como ele dizia que café deveria ser.
Iria sentir falta da risada de Matilde ecoando pelos corredores quando brincavam de esconde-esconde. Iria sentir falta, ainda que não devesse, da presença silenciosa de Diogo nos jantares, quando ele chegava tarde e encontrava as duas já de pijama vendo desenhos na sala. Ele sempre parava na porta, observando por alguns segundos antes de anunciar sua presença.
E Beatriz sempre fingia não notar, embora seu coração acelerasse cada vez que sentia aquele olhar sobre ela. Sabia que era errado. Uma babá não deveria sentir mais do que profissionalismo pelo seu empregador. Mas os sentimentos não pedem licença para existir.
Nos últimos meses, Beatriz travara uma batalha silenciosa contra algo que crescia dentro dela sem convite. Talvez por isso a demissão doesse tanto. Não era apenas o emprego. Era a proximidade. Era poder estar perto dele, mesmo que à distância. Era fazer parte daquele universo, mesmo que apenas como funcionária.
Na mansão, o silêncio que se instalou após a partida de Beatriz tinha peso. Dona Maria, a governanta que trabalhava para a família há mais de vinte anos, lavava a louça com mais força do que o necessário, as panelas batendo contra a pia em uma sinfonia de desaprovação. Ela não dissera nada quando Diogo comunicara a decisão. Não era seu lugar questionar, mas seus olhos, que viram o patrão crescer desde criança, deixavam claro que não concordava.
Diogo estava no escritório, a porta fechada, os olhos fixos na tela do computador sem realmente ver os números. Fizera a coisa certa, repetia para si mesmo como um mantra. Fizera a coisa certa.
Catarina fora clara naquela manhã, quando ligara de Lisboa com aquela voz doce e artificial que ele conhecia bem demais. Catarina Sousa, sua ex-namorada, a mulher com quem quase se casara antes de conhecer Leonor, a mãe de Matilde. Ela reaparecera quatro meses antes, durante um evento empresarial no Porto. Mais bela do que ele lembrava, mais refinada, mais… tudo.
Dissera que soubera da morte de Leonor, que sentia muito, que estava ali se ele precisasse de uma amiga. Diogo, exausto de carregar sozinho o peso da viuvez e da paternidade, aceitara aquela mão estendida sem questionar as intenções por trás dela.
As visitas começaram esporádicas. Um jantar aqui, um almoço ali. Catarina, sempre impecável, sempre dizendo as coisas certas, sempre elogiando Matilde, embora a niE no final, sob o céu dourado de Sintra, Diogo encontrou Beatriz novamente, e dessa vez, em vez de despedi-la, pediu que ficasse para sempre, porque finalmente percebera que o amor verdadeiro não se mede em euros, mas em segundas chances e em laços que o destino insiste em tecer.





