Rico desconhecido aparece na hora do almoço e fica chocado com o que descobre!7 min de lectura

Ricardo, o milionário, chegou sem avisar na hora do almoço e não conseguiu acreditar no que viu. O som das chaves caindo no chão de mármore ecoou como um tiro no silêncio do saguão, mas ninguém ouviu. Ricardo, um homem acostumado a fazer o mundo tremer diante de sua presença, ficou paralisado na entrada da sala de jantar, sentindo o sangue gelar em suas veias enquanto sua cabeça latejava.

O que seus olhos viam não fazia sentido. Era uma alucinação causada pelo estresse ou talvez uma piada cruel do destino. Ele havia voltado três horas mais cedo do que de costume, numa terça-feira qualquer, apenas para buscar alguns documentos esquecidos antes de voltar ao ambiente estéril de seu escritório de vidro no centro de Lisboa. Não esperava encontrar vida em sua mansão, não esperava encontrar calor e, definitivamente, não esperava encontrar aquilo.

À sua frente, sobre a mesa de mogno importado que ninguém usava desde o funeral de sua esposa cinco anos antes, desenrolava-se uma cena que desafiava todas as regras de sua casa. Joana, a jovem empregada doméstica de apenas 20 anos, com seu uniforme azul e branco impecável, não estava limpando o pó nem lustrando a prataria. Ela estava sentada – e não estava sozinha. Ao seu redor, ocupando as cadeiras reservadas a dignitários e sócios de negócios, havia quatro crianças. Quatro meninos idênticos.

Ricardo piscou, incapaz de processar a imagem. As crianças não podiam ter mais de quatro anos. Vestiam camisas azuis que lhe pareciam estranhamente familiares, como se o tecido tivesse sido arrancado de seu próprio passado, e pequenos aventais claros improvisados cobrindo seus peitos. Eram quatro gotas d’água, quatro réplicas exatas, com cabelos castanhos desalinhados e olhos grandes e expressivos que seguiam avidamente os movimentos da moça.

“Abram bem, meus passarinhos”, sussurrou Joana com uma voz tão doce que Ricardo sentiu o peito doer ao ouvi-la. Ela segurava uma colher grande cheia de um arroz amarelo brilhante, fumegante e simples, um violento contraste com a opulência da porcelana que os cercava. Não era comida de rico, era comida de sobrevivência, arroz tingido com corante barato, mas as crianças olhavam para ele como se fosse ouro em pó. Joana, com uma habilidade nascida da prática diária, depositava uma porção em cada prato, garantindo que as quantidades fossem milimetricamente iguais. “Comam devagar, hoje tem para todos”, disse ela, acariciando a cabeça do mais próximo.

Suas mãos, enluvadas com aquelas luvas amarelas de limpeza que ela usava para lavar banheiros, agora acariciavam rostos infantis com uma ternura maternal que fez Ricardo sentir um nó na garganta. Ele deveria ter gritado naquele instante. Deveria ter entrado furioso, exigindo saber o que aqueles estranhos faziam em sua mesa, sujando seus móveis, invadindo seu santuário de solidão – mas seus pés estavam pregados no chão. Algo nos perfis daquelas crianças o mantinha hipnotizado.

Quando o menino da extremidade esquerda virou a cabeça para rir de algo que seu irmão fez, a luz do lustre iluminou seu perfil. Ricardo sentiu o chão se abrir sob seus pés. Aquele nariz, aquela forma de curvar os lábios ao sorrir, até mesmo a maneira como a criança segurava o garfo com uma elegância inata que não combinava com suas roupas remendadas. Era como olhar para um espelho que distorcia o tempo e o levava 40 anos para trás.

O coração de Ricardo começou a bater com uma violência dolorosa, socando suas costelas como um animal enjaulado. Quem eram eles? De onde tinham vindo? Sua mansão era uma fortaleza cercada por muros altos e sistemas de segurança. Ninguém entrava sem sua permissão – e, no entanto, ali estavam quatro intrusos minúsculos comendo arroz amarelo em sua mesa proibida, atendidos por sua empregada como se fossem a realeza oculta de um reino esquecido.

A cena tinha uma intimidade doméstica que lhe era estranha e aterradora. As crianças riam baixinho, um som borbulhante que a casa não conhecia. Joana limpava os cantos de suas bocas com um guardanapo de tecido – um dos guardanapos de linho egípcio com suas iniciais bordadas – e lhes falava de um futuro onde não teriam fome quando fossem grandes e fortes. “Vocês vão mandar, vão ser importantes”, dizia ela, servindo o que restava na panela, “mas nunca, nunca esqueçam de dividir seu arroz.”

Ricardo apertou sua pasta de couro até que os nós dos dedos ficassem brancos. A mistura de indignação e uma curiosidade voraz o consumia. Sentia-se um intruso em sua própria casa. A luz dourada da tarde entrava pelas janelas banhando a jovem empregada e as quatro crianças em um halo quase celestial, enquanto ele permanecia nas sombras do corredor, um fantasma cinza em seu terno de negócios.

Deu um passo à frente. O couro de seus sapatos italianos rangiu contra o madeira. O som foi imperceptível para qualquer um – mas para Joana, que vivia em estado de alerta constante, foi como um trovão. A moça se tensionou. A colher parou a meio caminho da boca de uma das crianças. Lentamente, com o terror pintando seu rosto de uma palidez mortal, ela virou a cabeça para a porta. Seus olhos se encontraram.

O azul gélido do olhar de Ricardo colidiu com o castanho assustado dos olhos de Joana. O tempo parou. As quatro crianças, percebendo o medo repentino de sua protetora, pararam de comer em uníssono e viraram suas cabecinhas para a figura imponente que bloqueava a saída. Ricardo não conseguia respirar. Agora que os via de frente, a verdade o atingiu com a força de um trem de carga. Eles não eram apenas parecidos com ele – eram idênticos. Eram quatro cópias perfeitas de si mesmo, olhando-o com uma mistura de curiosidade inocente e medo instintivo.

O silêncio que se seguiu foi tão denso que poderia ser cortado com uma faca. Joana levantou-se de um salto, um movimento brusco e desesperado que fez os talheres tilintarem sobre a mesa. Seu instinto foi imediato, animal – colocou-se entre o homem de terno e os quatro pequenos, abrindo os braços como uma leoa encurralada protegendo seus filhotes, ignorando que ainda vestia as luvas de borracha amarela, ridículas em qualquer outro contexto, mas que agora pareciam garras defensivas.

“Senhor…” Sua voz era um fio estrangulado, quase um sussurro que morreu antes de chegar aos ouvidos de Ricardo. Ricardo avançou – não caminhava, marchava. A fúria começara a substituir o choque inicial, a invasão de sua privacidade, o uso descarado de seus bens e aquela semelhança perturbadora que ele não queria admitir. Tudo se misturava num coquetel tóxico. Ele entrou na sala de jantar e a temperatura do ambiente pareceu cair 10 graus.

“Que diabos significa isso, Joana?” Seu grito ecoou nas paredes altas, fazendo os cristais da vitrine tremerem. As crianças, que até então observavam com olhos arregalados, reagiram à violência da voz. O menor dos quatro, o sentado mais perto de Ricardo, soltou um soluço engasgado e deslizou da cadeira, correndo para se agarrar às pernas da empregada, escondendo o rosto no avental branco de seu uniforme. Os outros três o imitaram em segundos, formando uma barreira humana de corpos trêmulos atrás da moça.

“Exijo uma explicação imediata!” rugiu Ricardo, parando doRicardo olhou para aquelas quatro vidas que eram parte de si, sentiu o peso das mentiras desmoronando sobre seus ombros e, pela primeira vez em anos, deixou as lágrimas rolarem livremente enquanto abria os braços para seus filhos.

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